O que te trouxe o Carnaval 97?

Esperem. Deixem-me pensar...
Vou só falar daquilo a que todos puderam assistir: Uma vitória incontestável dos Marados; a entrada do Carnaval de Ovar na Net; um polémico ex-aequo entre as Escolas de Samba Costa de Prata e Charanguinha; a divulgação das classificações às 24h00 com muito receio da reação do público e dos participantes; apenas uma volta ao percurso no desfile de terça-feira; uma noite de Domingo Gordo em que os foliões decidiram ficar a dormir... e assim, de repente, não me lembro de mais nada.

Comentários? Julgo que os Marados se reencontraram (espero que se tenham reencontrado). Apresentaram uma fantasia (não gosto de lhe chamar maquete uma vez que deixa de o ser depois de concretizada) muito original, bem confeccionada e de um colorido que até o comentador da RTP classificou como extraordinário (parabéns e obrigado, Pedro Gomes). Mas quando acontece uma vitória incontestável, ou esse grupo se destacou com uma fantasia realmente extraordinária, o que - pensam os Marados - não foi o caso, ou houve menos qualidade por parte da concorrência, o que é pena pois retira mérito aos vencedores.

Em relação à existência de um site dedicado ao Carnaval de Ovar, presto aqui a minha homenagem à Comissão de Carnaval por ter acolhido tão bem esta iniciativa.

O ex-aequo entre as Escolas de Samba Costa de Prata e Charanguinha está, provavelmente, relacionado com a dificuldade que houve em encontrar alguém que se dispusesse a divulgar a lista das classificações. Mas também pode ter a ver com o facto de, todos os anos, existirem manifestações de desagrado cuja efusividade chega, por vezes, a superar as manifestações de alegria dos vencedores. Talvez porque os derrotados são sempre em maior número.
Caros colegas foliões participantes: a opinião de dez juris pode muito bem não espelhar a opinião da generalidade. O Juri, muitas vezes, não dá qualquer importância a pormenores que só nós sabemos o trabalho que deu concretizar. Muitos deles nunca fizeram parte de qualquer grupo. E nós, participantes, que nem sequer vemos o desfile? Com que direito nos proclamamos melhores juizes? E se o somos, agrada-vos a ideia de sermos nós, grupos, a decidir a classificação? Prefiro que seja o público. Mas, mesmo assim, posso dizer-vos que tenho conhecimento de uma excursão que assistiu ao desfile deste ano e cuja preferência ia todinha para os Não Precisa que, este ano, ficaram em 15º lugar. Meus amigos: meditemos.

Agora que já meditámos gostaria de voltar ao assunto Charanguinha versus Costa de Prata. Confesso-me, desde há muitos anos, fã da Charanguinha. Pela sua alegria no desfile, pelos discos editados, pela qualidade da sua bateria e do seu fantástico vocalista e puxador da bateria, e pelo ano da Palhaçada. Mas este ano, a minha preferência ia inteirinha para a Costa de Prata. Tal como a Charanguinha, no ano da "Palhaçada" (e no ano seguinte), eles trouxeram algo diferente dos habituais Fatos-Com-Plumas-Nas-Costas e seriam, quanto a mim, os vencedores da edição deste ano do nosso Carnaval. Um caso raro em que a mistura de vários personagens no mesmo grupo resultou às mil maravilhas. E foram penalizados por isso mesmo: pareciam um Grupo dizem, e não uma Escola de Samba. E eu digo: "E PARECIAM MUITO BEM!" ou vamos continuar a insistir que as nossas E. S. se devem parecer com as Escolas brasileiras? Não estará já na altura de enveredarmos claramente por um estilo próprio e premiarmos as Escolas que apresentem um estilo mais à imagem do nosso Carnaval? Meditemos segunda vez.

E agora, digam-me onde é que se meteram todos no Domingo à noite que só havia povo na rua para encher uma discoteca e que só funcionou a partir das 3 da madrugada.
Façam o favor de, para o ano, meter um dia de férias na segunda-feira de Carnaval para poderem curtir, também, o Domingo à noite. Como diz o meu amigo Figueiredo, NÃO PÁRA!

Carlos Gomes/Fevereiro 97

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